Chapecó recebe prêmio nacional por proteção de nascentes

A recuperação de áreas degradadas, a proteção de nascentes e a preservação de matas ciliares em Chapecó renderam ao município reconhecimento nacional no 32º Prêmio Expressão de Ecologia. O Programa Água Boa foi vencedor na categoria Conservação de Recursos Naturais, destacando uma política pública ambiental desenvolvida há duas décadas. A premiação será entregue nesta sexta-feira (26) em Florianópolis durante ato solene.

Promovida pela Editora Expressão desde 1993 e reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente, a premiação recebeu nesta edição 146 projetos inscritos. Ao todo, 54 iniciativas de 40 organizações foram selecionadas para receber o Troféu Onda Verde e integrar publicação especial da Revista Líderes de Expressão.

O Programa Água Boa foi criado em 2006 com foco na proteção e recuperação de matas ciliares. A iniciativa busca ampliar a disponibilidade de água de qualidade para consumo humano e animal, proteger nascentes e cursos d’água, reduzir os impactos dos períodos de estiagem e contribuir para a permanência das famílias no campo por meio da segurança hídrica.

Reconhecimento nacional

Ao conquistar o Prêmio Expressão de Ecologia, Chapecó passa a integrar o grupo de organizações públicas e privadas reconhecidas nacionalmente por iniciativas voltadas à sustentabilidade e à conservação ambiental.

O reconhecimento destaca uma política pública ambiental consolidada ao longo de duas décadas e voltada à proteção dos recursos hídricos e à recuperação ambiental em áreas rurais.

Segundo o secretário de Agricultura e Pesca, Mauro Zandavalli, a proteção das nascentes contribui para a preservação dos recursos naturais, da produção agrícola, da biodiversidade e da saúde pública. Integrante da equipe técnica do programa, Marco Aurélio Godoi destacou que a preservação ambiental está diretamente relacionada à garantia de água, produção, qualidade de vida e sustentabilidade para as futuras gerações.

Além da Prefeitura de Chapecó, a edição 2025-2026 da premiação reconheceu projetos desenvolvidos por organizações como WEG, Engie Brasil Energia, Tupy, Portonave, Volkswagen do Brasil, GM do Brasil, Klabin, Malwee, Whirlpool e Sanepar, entre outras instituições com iniciativas voltadas à conservação da água, energias limpas, reciclagem, educação ambiental e gestão ambiental.

Mais de 600 hectares protegidos

Entre os resultados apresentados no projeto premiado está a recuperação e proteção de 606,06 hectares de áreas ambientais. Desde o início das ações, 708 propriedades rurais, pertencentes a 688 famílias, foram beneficiadas diretamente pelas iniciativas de conservação e recuperação ambiental.

Uma das principais estratégias do programa é o isolamento de nascentes e Áreas de Preservação Permanente (APPs), impedindo o acesso de animais e favorecendo a regeneração da vegetação nativa. Para isso, são fornecidos materiais como palanques, tramas de madeira, arames e outros insumos necessários para a construção das cercas de proteção.

Outra frente de atuação é a recomposição vegetal. Conforme o projeto encaminhado à premiação, já foram distribuídas 52.074 mudas de espécies nativas destinadas à recuperação ambiental e ao fortalecimento da biodiversidade local.

O programa também recebe apoio da Diretoria de Meio Ambiente por meio dos Termos de Ajuste Ambiental (TAA), mecanismo que direciona materiais e mudas provenientes de compensações ambientais para ações de recuperação de áreas degradadas.

Proteção de áreas estratégicas para abastecimento

O trabalho concentra atenção especial em regiões fundamentais para o abastecimento de água do município. Um dos destaques é a microbacia do Lajeado São José, responsável pela captação de água para abastecimento público.

De acordo com o levantamento apresentado, praticamente toda a área já se encontra protegida, permitindo que os esforços sejam direcionados para outras bacias hidrográficas da região.

Chapecó possui 25 microbacias hidrográficas, sendo três consideradas prioritárias para o abastecimento: Lajeado São José, Bacia do Rio Tigre e Bacia do Retiro.

A metodologia do Programa Água Boa inclui diagnóstico ambiental das propriedades rurais, planejamento das intervenções, fornecimento de materiais, acompanhamento técnico, georreferenciamento das áreas recuperadas e monitoramento posterior.

As ações são realizadas por meio de visitas técnicas que identificam necessidades ambientais, orientam produtores rurais e acompanham a efetividade das medidas implantadas. Como contrapartida, os proprietários executam a mão de obra necessária para instalação das cercas e manutenção das áreas protegidas.

Parcerias ampliam resultados

O programa conta com a participação de diversos parceiros institucionais, entre eles Epagri, Casan, Agência Nacional de Águas (ANA), Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), Comitê de Bacias Hidrográficas, Consórcio IBERE, Cooper Alfa, Rotary e outras entidades ligadas à gestão ambiental e aos recursos hídricos.

Segundo o documento apresentado à comissão julgadora, um dos avanços mais significativos ocorreu a partir de 2021, com a atuação conjunta do Ministério Público em ações voltadas à proteção de nascentes e cursos d’água localizados em áreas rurais.

O modelo de governança entre produtores rurais, Programa Água Boa e Ministério Público busca garantir segurança jurídica às ações desenvolvidas, em conformidade com o Código Florestal Brasileiro e o Cadastro Ambiental Rural (CAR). De acordo com o projeto, a consolidação desse trabalho abre espaço para o desenvolvimento de novas iniciativas de políticas públicas voltadas à gestão ambiental.

Entre os resultados dessa atuação, foram identificadas e acompanhadas 100 nascentes em 75 propriedades rurais. Desse total, 27% já estavam totalmente cercadas e protegidas, enquanto outras 23% encontravam-se em fase final de adequação ambiental.

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A Editora Expressão

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