Brasil chega devendo à COP17 da Desertificação

Mais de dez anos após a criação do mecanismo internacional de neutralidade da degradação da terra, o país ainda não registrou metas junto à Convenção das Nações Unidas

O Brasil chega à COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, que começou nesta segunda-feira (17), em Ulaanbaatar, na Mongólia, com uma dívida importante. O país ainda não apresentou suas Metas Voluntárias Nacionais de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN, na sigla em inglês).

Em 2015, a Agenda 2030 das Nações Unidas estabeleceu, no ODS 15.3, o compromisso de combater a desertificação, restaurar terras e solos degradados e alcançar um mundo neutro em degradação da terra até 2030. No mesmo ano, a COP12 da Desertificação incorporou a LDN à implementação da Convenção e impulsionou a definição de metas pelos países.

De acordo com o balanço da Convenção de Combate à Desertificação, 131 países se comprometeram a definir metas de neutralidade da degradação da terra. Relatório do Mecanismo Global da Convenção mostra que, em dezembro de 2025, 124 países já haviam formalizado suas metas. Entre eles, estão Itália, Argentina, África do Sul, Quênia, Indonésia, Colômbia, Chile, Peru, Guiana e México.

O atraso brasileiro contrasta com a dimensão do problema. Dados oficiais do Instituto Nacional do Semiárido (INSA) indicam que cerca de 39 milhões de pessoas vivem em áreas suscetíveis à desertificação no Brasil.

“Chegar à COP da Desertificação de 2026 sem ter apresentado previamente a meta de neutralização evidencia que o combate à desertificação e à degradação da terra ainda não recebeu a prioridade compatível com a escala do problema no país”, afirma Sergio Leitão, diretor executivo do Instituto Escolhas. A organização é acreditada junto à Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e acompanha a Conferência.

Fonte: Instituto Escolhas

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