El Niño atinge 98% de probabilidade de durar até 2027 e deixa sete estados em situação crítica; veja o monitor

Aquecimento acima do normal no Oceano Pacífico reforça o fortalecimento do El Niño e amplia os riscos climáticos

Um monitor do El Niño no Brasil, desenvolvido com base em dados da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), aponta que o fenômeno permanece em forte intensificação e já apresenta 98% de probabilidade de persistência até fevereiro de 2027, elevando o alerta para grande parte do país.

O painel de monitoramento indica que sete estados estão classificados em nível crítico, enquanto 12 aparecem com alto risco, seis com risco moderado e apenas dois com baixo impacto previsto ao longo de 2026.

O sistema também destaca a possibilidade de evolução para um “Super El Niño” entre novembro e janeiro, estimada em 63%, caso o aquecimento das águas do Pacífico continue se intensificando.

Monitor classifica os estados por nível de risco

O mapa de intensidade divulgado pelo monitor distribui os estados brasileiros em quatro níveis de impacto. Veja a situação do seu estado no monitor.

  • 7 estados aparecem em situação crítica (Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia);
  • 12 estados estão classificados com alto risco (Amazonas, Tocantins, Mato Grosso, Rondônia, Acre, Roraima, Pará, Maranhão, Sergipe, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul);
  • 6 estados apresentam risco moderado (Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro);
  • Apenas 2 estados permanecem em baixo risco (Espírito Santo e Amapá).

Chuvas no Rio Grande do Sul afetam 60 mil pessoas; Lajeado tem maior número de desabrigados
Foto: TV Brasil/Reprodução/ND Mais

Entre os destaques regionais, o Rio Grande do Sul aparece com previsão de alto impacto, com expectativa de aumento das chuvas entre 40% e 80%, anomalias de temperatura entre +1,5°C e +2,5°C e maior risco de eventos extremos, como enchentes severas.

Na atualização mais recente, o painel informa que o fenômeno se encontra na fase de El Niño Forte (Ativo), com Índice ONI previsto de 2,1°C, valor compatível com eventos de grande intensidade. O monitor ainda projeta anomalias da temperatura da superfície do mar entre +1,8°C e +2,5°C no Pacífico equatorial.

Índices oceânicos confirmam evolução do El Niño

As condições observadas no Oceano Pacífico através de índices da CAT (Ciências Atmosféricas) da UNIFEI (Universidade Federal de Itajubá) confirmam o fortalecimento do El Niño.

No último mês, ampliou-se a área com temperaturas da superfície do mar superiores a +1,0°C no Pacífico equatorial central e oriental, um dos principais indicadores utilizados pelos meteorologistas para acompanhar a evolução do fenômeno.

O índice Niño-3.4, considerado a principal referência internacional para monitoramento do El Niño, atingiu +1,2°C na última medição semanal. Já os índices Niño-4 e Niño-1+2 registraram +0,5°C e +2,7°C, respectivamente, indicando aquecimento significativo principalmente na porção leste do Pacífico.

Aquecimento acima da média no Pacífico equatorial reforça a persistência do El Niño
Foto: Reprodução/Unifei/ND Mais

Também foi observado aumento das temperaturas abaixo da superfície do oceano, impulsionado pela passagem de uma onda de Kelvin descendente, que aprofundou a termoclina e favoreceu o aquecimento das águas no Pacífico oriental.

Além disso, foram registrados ventos de oeste anômalos próximos à superfície e ventos de leste em altos níveis da atmosfera sobre o Pacífico equatorial, enquanto a atividade de nuvens e tempestades aumentou no Pacífico central e centro-leste e diminuiu sobre a Indonésia.

Os índices da Oscilação Sul permaneceram significativamente negativos, reforçando que o sistema oceano-atmosfera está plenamente acoplado e em fase de fortalecimento do El Niño.

O que é o El Niño?

El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial central e oriental. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e enfraquece os ventos alísios, permitindo que grandes volumes de água quente avancem em direção à costa das Américas.

Com isso, diminui a ressurgência de águas frias e ricas em nutrientes ao longo da costa oeste da América do Sul, modificando o equilíbrio entre oceano e atmosfera. Essas mudanças influenciam a posição das correntes de jato e alteram os regimes de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.

El Niño altera o regime de chuvas e temperaturas, aumentando o risco de eventos climáticos extremos no Brasil
Foto: Imagem gerada por IA/ND Mais

No Brasil, os impactos variam conforme a região, mas eventos de El Niño forte costumam favorecer excesso de chuvas no Sul, aumento das temperaturas em várias áreas do país e mudanças importantes na distribuição das precipitações, elevando o risco tanto de enchentes quanto de estiagens, dependendo da localidade.

O fenômeno é monitorado continuamente por instituições como a NOAA e a NASA, que utilizam satélites, boias oceânicas, sensores submarinos e modelos climáticos para acompanhar a evolução das temperaturas do oceano, dos ventos e da atmosfera.

Fonte: ND Mais

Publicidade:

Prêmio Expressão de Ecologia

Conhecido como o Oscar Ambiental Brasileiro, o Prêmio Expressão de Ecologia é a mais longeva premiação ambiental do país. Criado em 1993 pela Editora Expressão, reconhece e divulga as melhores iniciativas de sustentabilidade de organizações dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, valorizando projetos que geram impacto positivo para a sociedade e o meio ambiente.

EDITORA EXPRESSÃO LTDA
CAIXA POSTAL 21725
88058-970 – FLORIANÓPOLIS (SC)