A 100 dias da COP31, setor empresarial brasileiro se prepara para levar à Turquia agenda de implementação da transição climática

CEBDS avança com as Coalizões para a descarbonização de setores-chave da economia e iniciativa Brasil de Soluções potencializa matchmaking de projetos sustentáveis e investimentos com plataforma online

Em 1º de agosto, estaremos a 100 dias da 31ª Conferência das Nações Unidas, que será realizada em Antália, na Turquia, e o setor empresarial brasileiro se mobiliza para apresentar uma agenda voltada à implementação da transição para uma economia de baixo carbono. A estratégia está estruturada em três frentes complementares: descarbonização setorial; conexão entre projetos e financiamento; e apoio aos Mapas do Caminho, plano de ação para guiar governos na transição energética, no abandono gradual dos combustíveis fósseis e na redução do desmatamento em curso. O objetivo é cooperar para o cumprimento da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, que prevê reduzir as emissões líquidas entre 59% e 67% até 2035, em comparação aos níveis de 2005.

Ao longo do último ano, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) avançou na internacionalização e na segunda fase das Coalizões para Descarbonização de quatro setores essenciais: Transportes, Agricultura, Energia e Mineração. Os grupos de trabalho reuniram mais de 270 organizações, entre empresas, associações, representantes do governo e especialistas, em um ambiente pré-competitivo para construir, de forma colaborativa, caminhos para a descarbonização de cada setor.

Na Coalizão dos Transportes, por exemplo, o estudo identificou três frentes com maior potencial de redução de emissões: ampliar a participação de ferrovias e hidrovias na matriz logística, expandir o uso de biocombustíveis e acelerar a eletrificação da frota. Já na Agricultura, o diagnóstico aponta que é possível mitigar cerca de 80% das emissões do setor por meio de iniciativas como o sistema de plantio direto e de cobertura, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), a expansão de pastos de alto vigor (com alta fertilidade e bem manejados) e o aumento da produtividade do rebanho.

Agora, o CEBDS está olhando para formas de colocar em prática as ações com potencial para reduzir, até 2050, 70% das emissões nos quatro setores analisados pelas Coalizões. “Estamos estruturando uma governança permanente, ampliando o engajamento de empresas e instituições, criando conselhos consultivos e um observatório de indicadores que permitirá acompanhar a evolução das agendas setoriais”, conta Marina Grossi, presidente do CEBDS. A segunda etapa também prevê a criação de um grupo mais amplo de empresas para acelerar duas frentes estratégicas que são transversais a todos os setores: biocombustíveis e eletrificação.

Durante a London Climate Action Week (LCAW), um dos principais encontros preparatórios para a COP31, a eletrificação ganhou destaque com o lançamento da meta “35 by 35”, apresentada pelo presidente da conferência, Murat Kurum. Baseada em estudo da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), a iniciativa propõe elevar a participação da eletricidade na demanda final global de energia dos atuais 23% para 35% até 2035. No evento, o CEBDS apresentou a experiência das Coalizões, entre elas a Coalizão do Setor Elétrico, para discutir como a metodologia pode inspirar outros países a partir da aproximação entre setor privado, governo e sociedade para transformar metas climáticas em ações concretas.

Da estratégia à implementação: CEBDS atua para apoiar os Mapas do Caminho
 
A lógica da implementação também orienta a evolução do Brasil de Soluções. Lançado no ano passado como parte do Celeiro de Soluções da COP30, o portfólio reúne 135 iniciativas desenvolvidas por 58 empresas associadas ao CEBDS, organizadas em seis eixos estratégicos: florestas, energia, indústria, agricultura, infraestrutura e pecuária. Em maio deste ano, o projeto transformou-se em uma plataforma permanente de matchmaking — conectando soluções empresariais a investidores, fundos climáticos, parceiros técnicos e oportunidades de financiamento. Dois dos cases já identificaram que cumprem 100% das exigências da Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP) e iniciaram o processo para solicitar o financiamento.
 
A agenda empresarial para a COP31 inclui ainda contribuições para a implementação dos três Mapas do Caminho que estão em curso: o mapa de Baku a Belém para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático até 2035; o mapa para a transição energética e o afastamento gradual dos combustíveis fósseis; e o mapa para zerar o desmatamento global até 2030.

No caso do Mapa do Caminho de Baku a Belém, a expectativa é que, até a COP31, o setor empresarial brasileiro apresente uma contribuição estruturada, com propostas concretas, alinhadas às prioridades nacionais e capazes de inspirar soluções em escala global. Com esse objetivo, o CEBDS reuniu, em parceria com o Itaú e o BCG, representantes do setor financeiro, empresas e organizações da sociedade civil para debater como a experiência brasileira pode fortalecer o plano e ampliar o fluxo internacional de recursos para a ação climática. Entre os principais desafios identificados estão o elevado custo do capital, a escassez de projetos financiáveis e a necessidade de ampliar os mecanismos de mitigação de riscos.

Sobre o CEBDS

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) é uma associação civil sem fins lucrativos que promove, desde 1997, o desenvolvimento sustentável no Brasil, por meio da articulação junto aos governos e à sociedade civil, além de divulgar os conceitos e práticas mais atuais do tema. Voz do setor empresarial, o CEBDS reúne mais de 100 dos maiores grupos empresariais do país, além de ser o representante brasileiro do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), que está presente em 36 países e conta com 200 empresas associadas no mundo.

Fonte: Approach Comunicação

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